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Arquivo Jul-Dez 2000
Líbano, Dez 2000: Esperada uma moratória ás execuções Espera-se que, no início de 2001, o Líbano anuncie uma moratória ás execuções. O Líbano tem-se mostrado como um opositor da pena de morte, uma vez que entre 1972 e 1994 (em 22 anos) apenas executou uma pessoa. No entanto, entre 1994 e 1998 pelo menos treze pessoas foram executadas. Em Novembro de 1998, Emile Lahoud foi eleito Presidente e, depois disso, não houve mais execuções. ______ Filipinas, Dez 2000:
Comutação de todas as sentenças de morte Desde o regresso da pena de morte ás
Filipinas, em finais de 1993, mais de 1400 prisioneiros foram condenados à
morte. Sete homens foram executados por injecção letal desde o recomeço das
execuções em Fevereiro de 1999, após um período de 23 anos sem execuções.
Em Março de 2000, Joseph Estrada anunciou uma moratória temporária ás execuções,
para marcar o ano do Jubileu. Vários relatórios considerados credíveis por organizações internacionais mostram o alto risco de se executarem inocentes nas Filipinas, devido à utilização da tortura pela polícia, com o objectivo de obter confissões. ______ EUA, 8 Dez 2000: Clinton adia execução federal Afinal, Juan Raul
Garza não será executado em 12 de Dezembro, conforme estava marcado.
Mas, ao apenas adiar a data da execução, o Presidente Clinton perdeu uma
grande oportunidade de defender os direitos humanos. A execução foi remetida para Junho de
2001, “para permitir ao Departamento de Justiça analisar eventuais
disparidades raciais e geográficas no sistema federal”. Esta poderá ser a
primeira execução federal desde 1963. Clinton afirmou que os EUA se tinham tornado, na sua presidência, “mais decentes e mais humanos”; a Casa Branca emitiu um documento sobre a defesa dos direitos humanos; mas não faz nenhuma menção à pena de morte. Durante a presidência de Clinton, os EUA executaram quase 500 prisioneiros; no mesmo período, 28 países aboliram a pena de morte. ______ Japão, 1 Dez 2000: Mais execuções secretas Mais três prisioneiros foram executados em segredo no Japão: Miyawaki Takashi, 57 anos, condenado em Dezembro de 1989 pelo assassinato de três pessoas; Fujiwara Kiyotaka, 52 anos, condenado em Março de 1986 pelo assassinato de oito pessoas; e Oishi Kunikatsu, 55 anos, condenado em Maio de 1983 pelo assassinato de três pessoas. Neste país, os prisioneiros são informados da sua execução no próprio momento, e não podem sequer despedir-se dos seus familiares. Estas três execuções são as primeiras
desde que Mori Yoshiro se tornou Primeiro Ministro. Entre Novembro de 1989 e Março
de 1993 existiu uma moratória nas execuções, que não teve oposição
significativa. ______ Malásia, Nov 2000: Primeiras execuções desde 1996 Dois homens foram executados, doze anos depois de terem sido condenados por tráfico de droga (123 e 132 gramas de heroína). Isto vem mostrar que o direito à Vida ainda não é respeitado na Malásia. Não há debate público na Malásia sobre a pena de morte. Segundo as autoridades, estas execuções são as primeiras desde 1996, tendo sido enforcadas 349 pessoas entre 1970 e 1996. Na Malásia, quem for apanhado com mais
de 15 gramas de heroína é acusado de tráfico de droga e, a menos que
prove o contrário, é condenado à morte. ______ China, Nov 2000: Execução iminente após julgamento injusto Em Dezembro de 1989, Zhuo Xiaojun foi
apanhado numa luta junto à sua casa, durante a qual morreram duas pessoas. Foi inicialmente condenado à morte em
Setembro de 1990, depois do caso voltar várias vezes aos investigadores devido
à insuficiência de provas. Em Janeiro de 1992, um tribunal retirou a condenação, por considerar os factos pouco claros, e marcou novo julgamento. O novo julgamento começou em Janeiro de 1993, mas foi adiado por sete anos, para que se fizessem mais investigações. A condenação baseou-se em confissões que Zhuo Xiaojun alega terem sido obtidas sob tortura. As testumunhas também afirmam terem sido alvo de pressões. Há confissões contraditórias com as provas existentes e algumas provas desapareceram dos arquivos. Em Janeiro de 2000, Zhuo Xiaojun foi considerado culpado, depois de um julgamento injusto, no qual foi novamente condenado à morte com base em provas consideradas insuficientes por um tribunal superior. Em Novembro de 2000 foi apresentado novo recurso, não havendo ainda nenhuma notícia sobre os resultados. Se o apelo for recusado, a execução pode estar iminente. A Amnistia Internacional afirma que ele pode estar a ser alvo de tortura. ______ EUA,
Nov de 2000 John Paul Penry tinha um
QI entre 50 e 63 e a mente de uma criança de sete anos de idade. Em
1980 foi condenado pelo assassinato, em 1979, de uma mulher. Foi executado
em 16 a Novembro de 2000. Devido à sua grave doença mental, a sua
pena chegou a ser retirada em 1989, mas voltou a ser sentenciado à morte logo
no ano seguinte. John Penry foi o 150º prisioneiro a ser executado desde que G W Bush foi eleito
Governador. ______ EUA,
Nov de 2000 Os EUA cumpriram a 75ª execução do ano.
O Governador do Texas, o candidato presidencial George W Bush não impediu a
injecção letal a Miguel Flores. Pedidos de clemência do México, Argentina, Polónia, dos 15 membros da União Europeia e da Inter-American Commission on Human Rights foram ignorados. Até o Departamento de Estado dos EUA fez saber que o pedido de clemência de Miguel Flores deveria ser estudado com cuidado. ______ EUA,
Nov de 2000: Primeira execução federal desde 1963 O Presidente Clinton pode decidir entre
dar um passo histórico pelos direitos humanos, ou fazer o seu país ir cada vez
mais contra o crescente consenso pela abolição da pena de morte. Juan Raul Garza
poderá ser o primeiro prisioneiro federal, no corredor da morte, a ser
executado desde 1963. A sua morte está marcada para 12 de Dezembro. Bill Clinton pode comutar a pena; uma
decisão que nenhum presidente norte-americano teve de tomar, desde há quase 40
anos. O presidente tem ainda a possibilidade de declarar uma moratória sobre
todas as execuções federais, o que viria de encontro ás preocupações
internacionais relacionadas com a justiça capital dos EUA, preocupações que
se devem ás disparidades raciais e geográficas na aplicação da pena de morte
e que foram recentemente confirmadas pelo Departamento de Justiça dos EUA. Desde que Bill
Clinton chegou à presidência em 1993, quase 500 pessoas foram executadas em 29
estados dos EUA. Isto representa mais de 70% das execuções efectuadas desde
1976, ano em que estas foram retomadas. Embora os estados tenham
recomeçado com as execuções, o Governo norte-americano só reintroduziu a
pena de morte em 1988 e, violando as regras internacionais, o Presidente Clinton
reforçou-a com legislação de 1994. Neste momento, há 3600 prisioneiros no
corredor da morte de estados norte-americanos e cerca de 21 prisioneiros com
sentença de morte federal. O último homem executado sob
a lei federal foi Victor Feguer, enforcado no Iowa em 1963.
Nessa altura, apenas dez países tinham abolido a pena de morte; actualmente,
108 países – uma maioria dos países do mundo – já aboliram a pena de
morte, na lei ou na prática. ______ Coliseu de Roma, Itália O Coliseu de Roma será iluminado durante
duas noites consecutivas sempre que uma sentença de morte seja suspensa ou
comutada em qualquer país do mundo, ou quando um país estabeleça uma moratória
sobre as execuções ou a pena de morte seja abolida. ______
EUA, Agosto de 2000: Execução ilegal gera coro de protestos A execução de Alexander Williams, a 24 de Agosto de 2000, já foi considerada ilegal pelas Nações Unidas e chovem pedidos de clemência. Williams é doente mental, mas o que mais controvérsia tem gerado é o facto de, na altura do crime pelo qual foi condenado, ele ter apenas 17 anos. Ver outros artigos relacionados, nestas páginas. ____________ Itália,
Agosto de 2000: Governo quer abolição mundial "Pelo menos 13 inocentes foram executados no Illinois desde 1977 e os norte-americanos começam a ter dúvidas em relação à pena de morte", afirmou o ministro L. Dini. ____________ EUA, 2000/08/24: Estado da Georgia executa deficiente mental Só este ano, os EUA já executaram cinco indivíduos nesta situação, um record desde 1954, ultrapassando em apenas sete meses o que o resto do mundo fez nos últimos sete anos. Pelos dados oficialmente conhecidos, só os EUA, o Irão, a Nigéria, o Paquistão, a Arábia Saudita e a Républica Democrática do Congo seriam capazes de executar Williams. A China e o Iémen baniram a execução de juvenis em 1997. Vários estados norte-americanos fizeram já o mesmo. Como é habitual em casos destes, Alexander Williams não teve direito a uma representação legal apropriada; o seu advogado não investigou a sua história de abusos sofridos durante a infância e a sua evidente doença mental. Já no corredor da morte, a sua situação agravou-se, tornando claros vários sintomas da doença. A Sub-comissão para a Promoção e Protecção dos Direitos Humanos das Nações Unidas confirmou que execuções como esta violam as leis internacionais. O artigo 6 da Convenção Internacional para os Direitos Civis e Políticos (ICCPR) e o artigo 37 da Convenção para os Direitos da Criança (CDC) baniram a pena de morte para pessoas com menos de 18 anos na altura dos crimes. Os EUA ratificaram o ICCR em 1992, com uma "reserva" que tentava exclui-los desta proibição, mas o Comité para os Direitos Humanos não a aceitou. Os EUA e a Somália são os únicos países que não ratificaram a CDC. ____________ EUA, 2000/08/09: Duas execuções no Texas ____________ Texas, EUA, Agosto de 2000: Mais execuções
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